
É verdade que Hear Me (聽說, 2009) foi feito parcialmente para promover os 2009 Taipei Deaflympics mas a causa – meritória, diga-se – não marca demasiado o resultado final, funcionando apenas como um elemento na narrativa e não fazendo esta girar em torno daquele. Também é verdade que se trata de um filme convencional e não isento de falhas a nível de argumento, realização e interpretação. Mas esta simpática comédia romântica, tal como outros filmes taiwaneses, acaba (involuntariamente?) por suscitar algumas reflexões sobre o próprio cinema.
Esta história de amor adolescente entre um entregador de comida e uma rapariga surda com quem comunica por linguagem gestual aguenta o dispositivo com brilhantismo até ao fim, sendo de tal forma convincente que o espectador quase nem se apercebe que a maioria do filme é mudo (e como eu tenho uma profunda admiração por essa forma de arte!). É verdade que alguns dos momentos mais taiwanesamente cómicos são falados (pelas personagens dos pais do rapaz) mas construir um filme assente essencialmente em cenas de linguagem gestual remete-nos para a dimensão primeiramente visual do cinema e nem o twist final vem suplantar essa faceta de Hear Me.
Trailer:

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